Terceiro Grupo leva encanto à passarela


Terceiro Grupo leva encanto à passarela

O desfile de cela no encerramento do Carnaval 2015 em Belém, enfrentou a chuva e mostrou a gana dos foliões

EMPENHO

Temporal afasta o público, mas não impede o brilho da última noite

Odesfile das ecolas de samba do 3° grupo ontem à noite, na Aldeia Amazônica David Miguel, no bairro da Pedreira, acabou prejudicado com a chuva forte que caiu no começo da programação, afastando grande parte do público das arquibancadas. Mas os brincantes das agremiações não se intimidaram e mostraram a beleza e garra de quem não abre mão de valorizar a cultura amazônica no carnaval. O desfile foi aberto pela escola de samba Feras da Sacramenta, já que a primeira pela ordem de apresentação seria a Mocidade Olariense, mas esta escola não compareceu à Atleta Amazônica e foi desclassificada do concurso. Também entraram na passarela para desfilar, de ontem para hoje, as escolas Aquarela Brasileira, Portela, Mocidade Botafoguense, Cacareco, Parangole do Samba, Paixão Rubro-Negro, Coração Jurunense e Império da Alegria.

Cada escola teve o tempo de até 40 minutos para desfilar diante do público e do corpo de jurados, para apreciação dos quesitos: enredo, porta-bandeira e mestre-sala, alegoria, porta-estandarte, comissão de frente, ala das baianas, evolução e samba-enredo. A cada ano, sobe uma

escola do 2° Grupo para o 1° e desce uma para o 2°. Duas do 2° Grupo descem para o 3° Grupo e duas deste ascendem ao 2° Grupo. Em 2014, o Xodó da Nega subiu ao 1° Grupo e a Deixa Falar desceu desse para o 2° Grupo. As escolas do 3° Grupo reúnem, em média, até 600 brincantes. O resultado dos desfiles oficiais de escolas e blocos será divulgado no dia 21 e, no dia 22, ocorrerá a festa

dos campeões na Aldeia Amazônica. A presidente da Fundação Cultural do Município de Belém, Heliana Jatene, acompanhou o desfile do 3° Grupo de escolas de samba.

A escola Feras da Sacramenta levou para a avenida o enredo "Dos Mistérios

de Paraná-Guaçu

à Origem das Len-

das", desenvolvido

pelo carnavalesco

Thiago Smith na co-

missão de frente "Pesa-

delo dos Navegantes"

e as alas "A Fantástica

Viagem", "Império Ver-

dejante", "Ancestralida-

de" e "A Deslumbrante

Fauna". A escola de sam-

ba apresentou-se com

300 brincantes com fantasias abordando o imaginário e o cotidiano das comunidades da Região Amazônica

Como terceira agremiação a desfila, a escola Aquarela Brasileira, do bairro do Jurunas, apresentou o enredo "Guerreiros da Floresta", rendendo homenagem ao povo da floresta que, em busca de melhores dias, migra do campo para a cidade. A esco-

Campeões

vão fazer a

festa na Aldeia Amazônica no próximo dia 22

la teve seis alas, com destaque para as baianas, e reuniu 400 brincantes e um carro alegórico. Logo na abertura do desfile da escola crianças dançaram vestidas de sacis e outros personagens da preservação das matas. Casas de cablocos e cidadãos das florestas, como pescadores, agricultores, indígenas e baianas vetidas como carimbozeiras, enriqueceram a exibição da Aquarela Brasileira. Destaque para o porta-estandarte Leandro; a rainha da bateria, Mara e uma ala de pescadores mirins.

A escola de samba Portela, do bairro da Sacramenta, teve uma torcida animada. Os 500 brincantes apresentaram o enredo "O Show vai começar, em homenagem ao circo, com palhaços, mágicos e outros personagens do mundo do espetáculo. "Esta é a minha primeira vez na Portela e na Aldeia Amazônica. Eu queria muito participar e consegui", disse Glenda Almeida, de 19 anos. A Portela chamou a atenção pela comissão de frente intitulada Marmelada; alas da Gargalhada, dos Mágicos, e dos pipoqueiros. "Há 4 anos eu desfilo na Portela e é sempre bom estar aqui", destacou a ajudante de cozinha industrial Deuzilene Neves.

O desfile das escolas do Terceiro Grupo, que teve a desistência da Mocidade Obriense, foi mais uma vez marcado por muita alegria e criatividade na neste de encerramento

Escolas do Segundo Grupo esbanjaram criatividade na madrugada

Apesar de entrarem na passarela do samba já no meio da madrugada, as escolas que encerraram o desfile do segundo grupo do Carnaval de Belém, no inicio deste sábado, 7, demonstraram ainda muito ânimo e vigor para lutar pelo acesso ao grupo especial.

Passava das duas horas da manhã quando o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida do Bengui entrou na Aldeia Amazônica Davi Miguel. O presidente da

agremiação, Sérgio Meireles, convocou os brincantes e foliões a darem o máximo de si na avenida: "Nós nos preparamos durante o ano inteiro para fazer bonito e levar esse título para o Bengui, então, vamos com tudo", disse, no início do desfile.

Com o enredo "Soltando pipas, rodando pião, com caimentos, roqueroques na mão e ser criança outra vez - viva o artesão", a escola mostrou a importância desse profissional - o artesão - para a confec

ção de brinquedos que, desde os tempos mais remotos, até hoje, fazem muito sucesso com a criançada, como pipas e piões.

A penúltima escola a desfilar foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba "Habitat do Boto", que entrou na passarela ao som de muito carimbó, pois fazia uma homenagem ao mestre Lucindo e à cidade de Marapanim, no nordeste do Estado. Intitulado "Marapanim: raízes de mestre Lucindo à cidade berço do

catimbó", o enredo fez muita gente dançar o ritmo típico do Pará. "Eu estou adorando tudo, se pudesse, desfilaria em todas as escolas, porque todas estão lindas", ressaltou a aposentada Maria Cruz, de 69 anos, que acompanhava atentamente a todas as apresentações.

O encerramento da primeira noite de desfiles do Carnaval de Belém ficou por conta da Escola de Samba "Embaixadores Azulinos", que prestou uma bela homenagem ao

repórter de rádio paraense Paulo Caxiado, que cobre as noticias do Clube do Remo há muitos anos. Com o enrendo "A voz que estremece a planície e enaltece o Leão - Paulo Caxiado", a escola mostrou a trajetória desse profissional, um dos mais conhecidos radialistas esportivos do Estado. Desde 1994, pela Rádio Clube do Pará, Caxiado cobre as atividades do time azulino, no Baenão.

Para o dramaturgo e ator Fernando Rassy, um dos ju

rados do Carnaval de Belém, as escolas do segundo grupo apresentaram muita criativa-de e conseguiram fazer um bonito Carnaval, utilizando materiais relativamente baratos. "No ano passado, vimos as escolas com materiais mais caros mas que, contudo, não conseguiram apresentar o brilho e os efeitos que vimos neste ano. Isso demonstra que as escolas tiveram criatividade para usar materiais mais baratos e ter um excelente resultado", avaliou.